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Ken Parker no Brasil (segunda parte)
por Julio Schneider e Marco Gremignai

A publicação de "Um príncipe para Norma" não passou despercebida, a julgar pela acolhida que recebeu dos leitores brasileiros e também pelos novos e interessantes projetos que mostram um retorno mais "articulado" de Ken Parker às bancas brasileiras :-)
Em particular, eis o que escreveu Ricardo de Souza no site paulista Estadao.com.br, num artigo intitulado O herói Ken Parker retorna em "Um príncipe para Norma":

Ken e Norma 
Ken-Robert Redford e Norma-Marilyn Monroe

Há certos fatores nessa história que a tornam algo mais que o fino que é toda a série. O grande atrativo, assim como em outros episódios, continuam sendo as referências e citações que Berardi extrai da literatura, música, cinema e de outras áreas artísticas. A força de Um Príncipe para Norma está na fonte em que Berardi bebeu para criar a história: nada mais do que o clássico Hamlet, de Shakespeare.
Toda a trama se passa durante os ensaios para uma encenação do espetáculo pela Everett's Theatrical Company, grupo de teatro mambembe que acaba empregando o sempre fugitivo Ken Parker, que encarna o jovem e vingativo Hamlet. A beleza da história reside nos desenhos de Giorgio Trevisan, que se reveza com Milazzo na arte. Enquanto este usa sua aquarela para ilustrar as cenas do Velho Oeste, Trevisan, com seu estilo detalhista, assume o lápis para desenhar a saga de Hamlet.
Não bastasse a dura tarefa de adaptar Shakespeare para os quadrinhos, Berardi ainda levou para a história ninguém menos que a senhorita Norma Jean. Sim, ela mesma: a musa Marilyn Monroe, que atordoou o imaginário dos homens nos anos 50. O próprio Berardi confessa que não escapou incólume aos encantos da atriz. Na encenação de Hamlet, Norma acaba sendo escalada para interpretar a bela Ofélia. Só o fato de promover o encontro de Ken Parker - inspirado no personagem Jeremiah Johnson, vivido pelo ator Robert Redford no filme homônimo, de 1972 - e Norma/Marilyn já justifica a leitura de Um Príncipe para Norma. Há outras citações nesse episódio, como o livro que Parker oferece para Norma ler, Sonnets from Portuguese, obra mais famosa da poetisa inglesa Elizabeth Bronwning Barrett (1806-1861). O livro citado por Berardi foi escrito como prova do amor de Elizabeth pelo marido, o também poeta Robert Browning. As poesias, como Parker diz para a carente Norma, são "outro modo de sentir carinho". Outra bela citação aparece na última tira da página 102, onde Trevisan reproduz o quadro "Ofélia" (1852), do pintor pré-rafaelista John Millais (1829-1896).

A importância de Ken Parker para o universo dos quadrinhos pôde ser medida pela frustração dos fãs do personagem quando foi anunciado, em janeiro de 1998, o fim da série na Itália. O Albo Speciale nº 4 marcava o fim de um trabalho conjunto de mais de 30 anos de Berardi e Milazzo. Houve boatos infundados de que a separação foi provocada por uma briga. Balela. Os dois continuam amigos e, entre um trabalho e outro, encontram-se para tomar um bom vinho.
Hoje, Berardi continua fazendo sucesso, dedicando-se exclusivamente a Julia, série sobre uma criminóloga (inspirada na atriz Audrey Hepburn) que vende em média 100 mil exemplares por mês na Itália. Milazzo continua realizando trabalhos para o gênero western. Em 1999, ilustrou, com suas aquarelas o livro Canto di un Uomo-Falco, do amigo e poeta Fabrizio Portalupi. Desenhou, no mesmo ano, Sangue Sul Colorado, 13º Texone da Sergio Bonelli Editore, editora que publicou a série Ken Parker. Hoje, ilustra a série Magico Vento, com a colaboração de desenhistas como Bruno Ramella, Andrea Venturi, Carlo Bellagamba e Stefano Biglia. A possibilidade de a parceria ser retomada é remota, mas eles não a descartam. Enquanto isso, milhares de fãs de Ken Parker em todo o mundo vivem numa constante expectativa. Em entrevista, Berardi deixa a esperança no ar: "Nada é impossível; se surgir uma ocasião interessante, ficarei muito feliz em reencontrar meu velho companheiro de aventuras".


Ken Parker Collezione 
A capa do primeiro número de "Ken Parker Collezione" brasileiro

Enquanto aguardam novos trabalhos de Berardi & Milazzo, se é que existirão, os aficionados brasileiros não podem se lamentar :-) pois, em setembro, a Editora Mythos publicou o primeiro número de "Ken Parker Collezione", com os mesmos episódios da edição italiana (Silenzio bianco e I selvaggi); a única diferença está no formato, que será igual ao do Tex brasileiro (13,5 x 17,5cm). Naturalmente, a "sobrevivência" desta série depende de seu sucesso: se os leitores brasileiros responderem com entusiasmo, se tornará uma série regular (e, abre parênteses, as traduções seguintes serão confiadas a Julio Schneider :-)

Ken Parker Reedição 
Anúncio da reedição do primeiro número de Ken Parker

E não é só isso...Como se pode ver pela imagem da quarta capa do Ken Parker Collezione 1, se anuncia nada menos que o retorno das primeiras aventuras de Rifle Comprido, em uma reedição dos volumes dos anos 70 - também com traduções de Julio Schneider - num luxuoso formato livro (15,5 x 21 cm) da CLUQ, sob o selo da nova casa editora Tendência Editorial, pelas mãos do grande aficionado Wagner Augusto, editor de outros sucessos kenparkerianos. "Rifle Comprido está de volta! As histórias que deram origem ao personagem! Ken Parker, edição especial, tiragem limitada." Esperamos que esta nova e interessantíssima aventura editorial tenha sucesso!


 

 


 
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